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Pseudo-videoclipe mais ou menos feito pelo usuário

novembro 20, 2007

Desde a semana passada havia me inscrito num tal de “Workshop de Videoclipe gerado pelo usuário”, que está na programação do Festival Internacional de TV, realizado pelo Instituto de Estudos de Televisão (IETV). Só sabia que começava às 11h, na segunda-feira (19/11), mas não fazia idéia do que aconteceria por lá. Li que uma banda (não lembrava o nome de jeito nenhum) estaria presente, mas não sabia que tipo de participação eles iriam ter. Também soube que um pessoal da MTV participaria e tudo isso começaria com um debate sobre linguagem – ou algo assim.

Cheguei bem cedo no trabalho para tentar sair de lá, no máximo 10h30, mas é óbvio que não consegui. O pessoal da limpeza resolveu trabalhar no dia do ponto facultativo e quando eu consegui começar, já eram quase 10h. Resultado: peguei trem, metrô, andei, comi (porque saco vazio não pára em pé, já dizia vovó) e só consegui chegar no Oi Futuro, local da oficina, por volta de 13h40. Mais do que atrasada e já tendo perdido, de cara, o debate inicial.

Então, não me restava mais nada além de me informar melhor sobre o que estava acontecendo e sobre o que ainda estaria por vir. Descobri lendo o folheto, que o debate, mediado pela jornalista e professora da UFF/IETV, Ariane Holzbach, girou em torno da linguagem de videoclipe. Foram apresentados, também, dois cases: MTV OverDrive, pelo ex-vj e produtor da MTV, Rafael Losso e FizTV, por Demian Grull; tudo isso temperado com discussões sobre conteúdo gerado pelo usuário – pano de fundo para a oficina que estava por vir.

Consegui pescar dos participantes que chegaram na hora e acompanharam tudo desde o início, como era o esquema. “Eles distribuíram senha no começo do debate e, na verdade, ninguém sabe, ao certo, o que vai rolar”, informou um menino moreno de cabelos cacheados que estava sentado em uma mesa com mais três meninas. No terraço do museu, onde todos os participantes aguardavam, ouvi de uma menina que era amiga da produtora da Manacá (a essa altura já tinha descoberto, ao menos, o nome da banda) que, mesmo eles, não tinham muita idéia do que haviam sido contratados para fazer. “Eles foram chamados para dar um show e dois dias antes o pessoal do IETV ligou avisando que seria gravado um videoclipe com o grupo”, disse Camila Rial.

Eles dividiram as pessoas que aguardavam, em grupos de 15 participantes. Quando chamaram os primeiros, fui até um, dos milhares de jovens da produção, reivindicar meus direitos. Me inscrevi pela internet e lá não falavam em senha, aliás, não diziam nada sobre coisa alguma. Nesse momento, dei de cara com a Cléo Pires – é a mesma coisa que na televisão. Meu problema foi resolvido, peguei uma das últimas senhas e meu certificado estava sendo preparado. Agora, só me restava esperar.

A Oficina

Uma das meninas da produção, Renata, estudou na FACHA de Botafogo. Foi justamente ela que veio anunciar o nosso monitor: Dani. Ele pediu para que a gente se reunisse e começasse a definir o videoclipe. Antes de começar a produzir, cada grupo tinha o direito de assistir a performance de seus antecessores. Das três câmeras que tínhamos disponível, duas ficaram com a banda – uma só na vocalista e outra nos detalhes de todos os outros integrantes – e a última, pegou as reações do público. A música tinha quase cinco minutos, sua melodia é empolgante e a vocalista, bem expressiva – o que nos rendeu ótimas imagens.

Terminamos de gravar, voltamos ao terraço e esperamos a nossa vez de editar. Tudo isso demorou 1h ou mais, e daí vem minha crítica ao evento. A iniciativa foi bastante válida, mas meu grupo foi muito prejudicado. Primeiro, porque tivemos uma câmera a menos – ouvi um integrante do grupo 1 dizer que eles tiveram quatro câmeras. Segundo, porque a nossa fita não foi um pouco adiantada, o que causou um defeito de tempo claramente identificável quando foram colocadas as três fitas para tocar ao mesmo tempo. Terceiro, fomos os últimos a começar a edição e tivemos cerca de 10 minutos para concluir, enquanto os outros participantes dispuseram de 30 minutos ou até mais.

Muita gente ficou sem fazer nada, mas quem quis fazer alguma coisa, conseguiu. Só era preciso ter um pouco de voz ativa, em meio a 14 pessoas. Imagino que devam ter ocorrido alguns problemas técnicos e de infra-estrutura, mas acredito que o ideal era que a Ilha de Edição estivesse localizada fora do auditório, para que, assim, os grupos que já tivessem gravado fossem editando enquanto outros produziam. Foi uma experiência bem legal, no sentido de conhecer pessoas, lidar com personalidades diferentes, conferir o que funciona ou não na prática, respirar um ambiental musical, produzir ao vivo e etc. Mesmo não tendo conseguido concluir a edição do vídeo, foi bacana. As produções vão ser veiculadas no FizTV.

Manacá

Uma das gratas surpresas da tarde de ontem foi a banda Manacá. Um Pop/Rock com influências Divulgaçãofolclóricas, que parecem ter sido tiradas diretamente dos contos de Ariano Suassuna, eles tocaram fundo na alma dos participantes. Mesmo sem conseguir entender a letra como um todo, porque o microfone estava baixo, a melodia inquietante e harmônica se fazia percebida nos quatro cantos do Museu da Oi.

Há um ano eles começaram, na Zona Norte do Rio, e pretendem a partir de um som local conquistar o mundo. Letícia Persiles, Luiz César Pintoni, Daniel Wally e Bruno Baiano, já parecem ter, pelo menos, conquistado o público presente no workshop, pela paciência, presença de palco e beleza de espetáculo. Para quem não estava presente, eles vão abrir o show do Cordel de Fogo Encantado no dia 07/12, na Fundição Progresso.

[ l i n k s ] [ r e l a c i o n a d o s ]
www.ietv.org.br/festival
www.bandamanaca.com
www.fiztv.abril.com.br
www.oifuturo.org.br